adminwpils – Isabella Lobo https://isabellalobo.com.br Gravidez, Parentalidade e Psicologia Wed, 22 Apr 2026 13:12:53 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.4 https://isabellalobo.com.br/wp-content/uploads/2025/08/icone-logo.png adminwpils – Isabella Lobo https://isabellalobo.com.br 32 32 Por que incentivo minhas filhas a praticar esportes? https://isabellalobo.com.br/2026/04/22/por-que-incentivo-minhas-filhas-a-praticar-esportes/ Wed, 22 Apr 2026 13:11:58 +0000 https://isabellalobo.com.br/?p=2190

Por que incentivo minhas filhas a praticar esportes?

Cresci em uma casa onde o esporte fazia parte da vida.
Meus pais esquiavam na água e na neve. Meu pai, maratonista e velejador. Minha mãe dança até hoje e segue fiel ao que chama de seus “30 minutinhos por dia” — seja nadando na piscina ou simplesmente se movimentando.

Eu e meus irmãos começamos a nadar com seis meses de idade e seguimos até os quinze anos. Não havia muita negociação para parar — e hoje agradeço profundamente por isso. A natação foi, inclusive, um belo remédio para a minha asma. Além dela, cada um de nós podia escolher outros esportes. Fiz oito anos de sapateado, jogo tênis há mais de vinte anos e corro há dezoito.


Hoje, minhas filhas também crescem cercadas de movimento. Maya e Naomi estão na natação e na ginástica desde um ano de idade. Maya faz taekwondo, karatê e ballet. Naomi aguarda ansiosamente a idade mínima para começar também.
E, nas horas livres: bicicleta, patins, skate.
Tudo de forma lúdica.
Seguindo curiosidades e interesses.
Nada forçado.
Nada mirando pódios ou olimpíadas.
Não é sobre isso.

É sobre diversão. Movimento. Descoberta.
É sobre desenvolver habilidades e respeito. Aprender sobre limites, perdas e conquistas. Experimentar a superação. Cultivar motivação e espírito esportivo.

Ao longo da minha vida no esporte e observando minhas filhas, percebi que cada atividade ensina algo diferente.
Na natação, aprendi sobre paciência e constância.
Na corrida, sobre perseverança.
No tênis, sobre timing.
No skate, vendo a Maya se aventurar, aprendo sobre ousadia — e sobre cair e levantar.
No patins, sobre equilíbrio e sobre soltar o corpo.
Na ginástica, vejo atenção e disciplina.
Na dança, harmonia e trabalho em equipe.
Nas lutas, respeito.

O esporte é uma escola para a vida.
E é exatamente isso que desejo para elas: que sejam ousadas, esforçadas e constantes. Que nunca tenham medo de cair — e de levantar. Que sintam orgulho de suas vitórias, mas também saibam aprender com as derrotas. Que respeitem seus oponentes, seus mestres e seus próprios corpos. Que compreendam seus limites, mas que também tenham coragem de superá-los.
Que sigam sempre em movimento.
Que sejam fortes, ativas, empoderadas. Que saibam competir, mas também apoiar. Que saibam lutar, mas também caminhar em equipe.
E que, acima de tudo, levem o espírito do esporte para a vida.

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A Melhor Mãe Sou Eu https://isabellalobo.com.br/2026/04/17/a-melhor-mae-sou-eu/ Fri, 17 Apr 2026 15:56:34 +0000 https://isabellalobo.com.br/?p=2170

A Melhor Mãe Sou Eu

Eu sei que nós mulheres tendemos a nos comparar e a nos diminuir, mas quer saber?
Eu não vejo nenhuma mãe melhor do que eu.

Vejo mulheres mais dedicadas, outras mais leves, outras mais pesadas.
Vejo a mãe que cozinha a própria comida dos filhos, outras que criam brincadeiras do nada.
Vejo mães que já planejaram a vida toda dos filhos.

Admiro todas essas, mas nenhuma é melhor do que eu!

Não é porque sou perfeita. Longe disso. Mas ninguém cuida das minhas filhas como eu.
Ninguém sabe delas como eu.
Ninguém ama elas como eu.
Ninguém sabe dar aquele abraço ou o cheirinho bem na hora que elas precisam, ou que simplesmente vai levar um sorriso para aqueles rostinhos.
Ninguém acorda e dorme pensando nelas.

Quando vejo a mãe que faz as crianças dormirem com facilidade, admiro tanto, mas continuo achando que sou a melhor mãe, porque só eu sei o quanto já tentei todas as formas fazer minha filha dormir em 15 minutos, rs.
E sei o desafio que foram as noites com terror noturno, e as milhares de horas incontáveis que passamos juntas na madrugada.

No fim, eu sou a melhor.
E cada uma de vocês também são.
A melhor que conseguem ser, é a melhor para o filho de vocês.

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Tudo Passa https://isabellalobo.com.br/2019/09/22/tudo-passa/ Sun, 22 Sep 2019 14:14:16 +0000 https://democontent.codex-themes.com/sites-elementor-v5/building-construction/build-a-wood-fired-clay-oven-3/

Tudo Passa

No primeiro ano como mãe, aprendi a profundeza da expressão: “TUDO PASSA”.
Lembro que a primeira noite no hospital foi maravilhosa e cheguei a pensar “opa, que sorte a nossa”, ai fomos lembrados que “tudo passa” na noite seguinte, quando foi um caos e não dormimos nada. No terceiro dia, voltamos para casa e nossa bebê foi “bebê de revista”, tínhamos uma rede de apoio sensacional e por isso me senti no paraíso. Já no quinto dia, minha montanha russa teve uma queda brusca e tivemos que voltar com a bebê paro hospital, para a UTI cuidar de uma icterícia alta demais (e simples de tratar), mas que levou à um grande sentimento de medo, seguido no dia seguinte por alívio decorrente de melhora rápida que ela teve durante a madrugada.

Não dava para nos segurar em um dia bom, e nem em um ruim, porque no dia seguinte era tudo diferente. Um dia de cólica, era seguido por um dia calmo e tranquilo. Um dia de preocupação, seguido por dias de muitas risadas. Enfim, um dia muito diferente do outro, e a lição de que TUDO PASSA (esse é o melhor conselho como pessoa e como profissional) e que é impossível e muito sofrido se apegar, ou segurar em alguma emoção ou pensamento, porque TUDO PASSA, tudo está em constante mudança e transformação.
Não adianta querer só dias de sol, porque inevitavelmente a chuva virá (e ela tem muitas funções e benefícios). Não adianta querer se segurar nos momentos alegres, porque inevitavelmente um momento triste surgirá, marcarão a vida, e ensinarão tantas lições.

Portanto, DESAPEGA: o pior dia vai passar, o melhor dia também, mas entre um e outro, vão ter muitos dias corriqueiros, comuns, corridos, que serão incríveis. Quando entendemos que TUDO PASSA, podemos aproveitar mais o presente porque logo mais a noite interrompida vai passar, o colo não será mais solicitado, a casa vai estar arrumada, os choros estarão controlados, o tempo estará livre…. mas tudo isso vai fazer falta. Por isso, sabendo que PASSA, aproveita: a correria, o sono, o cheirinho de neném, o cheirinho de suor, os vários questionamentos repletos de porquês.

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Leveza https://isabellalobo.com.br/2019/09/12/leveza/ Thu, 12 Sep 2019 20:46:56 +0000 https://democontent.codex-themes.com/sites-elementor-v5/building-construction/build-a-wood-fired-clay-oven-3-2/

Em maio de 2023 fui para um congresso em Dublin e minha melhor amiga americana me encontrou lá. Nos deparamos com a diferença das nossas vidas. Eu, brasileira, vivendo no Brasil, com uma rede de apoio significativa e um marido bem parceiro na vida. Ela, americana, separada, dois filhos e sem nenhuma rede de apoio. Além de viver a cultura americana de fazer quase tudo sozinha: faz obra, pinta e cuida da própria casa (com as próprias mãos), banca a casa e cuida dos filhos praticamente sozinha, toma conta de todas as questões da escola deles e ainda vivencia o medo constante das ameaças de massacre no subúrbio do Texas. Quando conversávamos sobre isso, ela falava que não dava espaço para ser feliz.

Admiro muito a força dela e sei que ela representa milhares de pessoas que vivenciam algo semelhante. Que lutam dia após dia. Apesar disso, isso não a faz mais mãe nem mais mulher do que ninguém, mas acaba tendo que ser menos ela. E isso faz falta.

Esse nosso encontro, nos trouxe boas reflexões. Para ela, ela percebeu que fazia tempo que não tinha tempo para sorrir. Para mim, me fez ser muito grata a minha rede de apoio, mas além disso, me fez rever o discurso sobre a leveza das coisas.

Existe uma pesquisa de Harvard que comprovou que as pessoas mais felizes não são aquelas que possuem mais dinheiro ou mais sucesso, mas aquelas que tem bons relacionamentos. No entanto, faltou o adendo de que para ter bons relacionamentos, geralmente precisa de um pouco de tempo livre. Ter bons relacionamentos não são só questão de boa vontade ou interesse, mas disposição, disponibilidade, energia.

Tenho sorte de ter rede de apoio, um trabalho que me permite bastante liberdade na agenda, uma casa confortável e sempre limpa, uma família para me acolher nos dias bons e nos difíceis, tempo para regar as amizades, pra cuidar de mim e me dar energia de sobra pra cuidar dos outros. Mas não posso fechar os olhos para tantas outras milhares de realidades que estão ao meu redor.

Não é fácil ser feliz nem leve em um corpo que não agrada, em um trabalho que massacra, em uma família que judia, em uma cultura que julga, que exclui, que aprisiona. Sejamos gratos quando temos tempo para nos percebermos felizes, mas junto a isso, podemos olhar e abraçar aqueles que precisam de uma mão. Assim, talvez, juntos, consigamos mais leveza.

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Super Mulher Sem Capa https://isabellalobo.com.br/2019/09/11/super-mulher-sem-capa/ Wed, 11 Sep 2019 06:32:10 +0000 https://democontent.codex-themes.com/sites-elementor-v5/building-construction/workface-generation-in-construction-2/

Vários dias quando a minha bebê grita o famoso “MAMÃÃÃE” de dia, de tarde, na madrugada, de baixo da piscina,…. Meu esposo me olha e diz, “queria eu ouvir mais vezes isso… eu queria tanto conseguir acalma-lá assim…. Essa sensação de amamentar eu nunca terei… esse contato de vocês, é único…”.

De fato, amamentar dói (e muito no começo), mas também é delicioso e transformador para a maioria das mulheres. Acalmar um bebê depois de um chororô, um incômodo com o dentinho, a vacina, uma frustração, faz a gente se sentir SUPER-MULHER sem capa (mas com seio).

Todo ônus tem um bônus e vice-versa. As vezes dá vontade de ser pai, mas sendo muito sincera, eu não trocaria a chance de gerar um bebê dentro de mim, de amamentar, de aconchegar de um jeito tão especial e próximo. As noites mal dormidas passam. O vínculo é eterno.

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A Dor é Passageira – A Glória é Eterna https://isabellalobo.com.br/2019/09/10/a-dor-e-passageira/ Tue, 10 Sep 2019 20:49:59 +0000 https://democontent.codex-themes.com/sites-elementor-v5/building-construction/hotel-construction-tiltshift-timelapse-2/

Existem diversos tipos de dor, que se enquadram principalmente em dois grupos: física ou emocional. O que as dores têm em comum? A vontade de eliminá-la.

A indústria farmacêutica lucra milhões com essas dores, assim como fornecedores de álcool e outras drogas. Pensam: melhor anestesiar, esquecer, tapar o buraco, abafar o caso, sarar, curar. Mas será que toda dor é ruim? Será que toda dor precisa ser eliminada? Tenho pensado muito sobre isso ao vivenciar a maternidade.
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Quis, por questões pessoais, o parto normal desde o princípio, e deixei a cesárea como um plano B (não tinha nada contra, apenas fazia mais sentido a outra forma). No dia do parto, cada dor que vinha era muito bem “controlada” com exercícios de respiração, depois foram se intensificando e minha obstetriz e meu esposo falavam “menos uma… mais uma que te leva mais perto pra ver a carinha da Maya”. Estávamos todos dando sentido para aquelas dores. Depois, quando a Maya já estava quase nascendo, a dor já era forte demais e meu esposo sugeriu analgesia para eu dar uma relaxada final e conseguir fazer a força necessária. O anestesista já estava a postos, mas tudo evoluiu tão rápido que segundos depois dessa sugestão minha filha já estava no meu colo. Nasceu! Sem anestesia nem nada! E a dor? Ahhhhh a dor…. já nem lembro. Foi ela que me trouxe esse lindo presente!

Depois disso, vieram muitas outras dores: a falta de sono, a dor da sensibilidade do seio, do peito machucado, de ver a filha ser furada para fazer exames, a dor de cólica e tantas outras antigas e novas. Me preparei para o caos da maternidade e senti muito do que já tinha lido e ouvido nas 4 paredes do consultório, mas escolhi ver cada experiência com a lente do SENTIDO. A maioria das “dores” me leva a ser mãe, a aprender, a me desenvolver. Algumas me dão coragem, outras paciência, outras me tornam mais humana, mas cada uma delas tem um sentido especial. Nem toda dor precisa ser eliminada. Algumas precisam só ser vividas.
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Finalizo o texto com uma frase que ouvi do meu pai e ele ouviu durante a preparação para sua primeira maratona: “A dor é passageira, a Gloria é eterna!”

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A Vida é Feita de Escolha https://isabellalobo.com.br/2019/09/10/a-vida-e-feita-de-escolhas/ Tue, 10 Sep 2019 01:06:26 +0000 https://democontent.codex-themes.com/sites-elementor-v5/building-construction/?p=1034

Um lema simples na vida é: se você escolhe por A, abre mão de B. Em outras palavras, cada escolha uma renúncia. Em termos mais comportamentais, toda escolha gera uma consequência. Mas minha filha de 4 anos, obviamente, não entende isso. Ela quer tudo. Quer ir em TODOS os brinquedos dos parquinhos. Quer comer l cookie, o sorvete e o chocolate que veio acompanhando o MEU cafezinho. Quer brincar sem parar a noite e manter as duas historinhas que costumo ler para ela e a oração no final. Um dia desses (dezembro 2024) ela estava querendo montar pela 5a vez um quebra cabeça e já tinha passado, significantemente, da hora dela dormir. Então falei:
⁃ Filha, vou lhe dar duas opções: ou montamos mais uma vez o quebra-cabeça e aí lemos só uma historinha e rezamos depois OU lemos as duas historinhas, fazemos a oração e deixamos o quebra cabeça para montarmos amanhã.
MUUUUUITA FRUSTRAÇÃO. Choro. Ensaio de grito, revolta e por fim, barganha: “Mamãe, fazemos assim: quebra cabeça, dois livros, oração. Ta bom?”

Trouxa, eu? Não. Além de não ser trouxa, sou psicóloga e mãe. Já estava morrendo de sono e nada disposta a ficar negociando algo que eu nem se quer concordava e não via nenhum benefício para ela. Segui firme e de forma segura:
⁃ Filha, essa não é uma opção. Veja o que você quer mais. Você precisa fazer uma escolha. Se não quiser nenhuma dessa duas é optar por ficar chorando, o tempo vai passar e você vai acabar sem nada.
⁃ Tá bom mamãe. Montamos só mais uma vez o quebra-cabeça e lemos uma historinha só.
⁃ Parabéns minha filha. Ótima escolha. Vi que você queria mesmo montar mais uma vez. Parabéns pela sua escolha. Estou orgulhosa de você.

Cabe a nós ensinar essa premissa nos pequenos detalhes. A vida é feita de escolhas.

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Dificilmente vem o Tapinha nas Costas https://isabellalobo.com.br/2019/08/07/dificilmente-vem-o-tapinha-nas-costas/ Wed, 07 Aug 2019 01:42:33 +0000 https://democontent.codex-themes.com/sites-elementor-v5/building-construction/build-a-wood-fired-clay-oven-3/

Eu sou o tipo de pessoa intensa. Me entrego para tudo o que faço. Quando corro, corro maratona. Quando pesquiso, faço doutorado. Quando pari, foram dois partos normais sem analgesia. A intensidade não é intencional, nem auto-cobrança, muito menos qualquer tipo de competição, inclusive não sou nada competitiva. É algo natural. Quando percebo, já me joguei de corpo e alma.

Faço por mim e me orgulho de cada conquista. Mas devo admitir que adoraria “um tapinha” nas costas.

O meu doutorado iniciou em janeiro de 2020, em fevereiro engravidei e em março do mesmo ano o mundo parou diante da pandemia do covid-19. A maioria das pessoas precisaram adaptar seus trabalhos, ficar em casa. Assim como os outros, fiz isso, mas para os psicólogos, o caos reinou. Minha agenda, que já era lotada, transbordou. Era ansiedade e medo para todos os lados e eu precisava cuidar dos antigos e novos pacientes que iam surgindo. O doutorado estava a mil, na fase de projeto, recrutamento de paciente e mudança de curso, já que teve que mudar de presencial para inteiramente remoto. Nada na minha vida parou. Tudo só aumentou: barriga, consultório, tese. Em outubro nasceu minha filha e apesar de querer viver inteiramente a maternidade, voltei a atender com 28 dias de pós-parto, porque meus pacientes estavam muito necessitados de escuta (e eu necessitada de trabalho- uma fuga saudável da maternidade). Amamentei por 1 ano e meio, participando de diversas reuniões com a filha no peito. Vários choros que precisei escutar e cada vez que eu entrava no escritório para atender ou estudar. Muitas noites mal dormidas, agravadas com uma filha que teve terror noturno. Para piorar, não tinha como descansar no dia seguinte, porque as 5h eu já me levantava para ter um pouco da casa silenciosa e poder produzir antes de ser engolida pela minha agenda e aos pedidos por “tetê”. Apesar dos pesares, olheiras e uma dose cavalar de café, consegui. Finalizei o doutorado, já com a 2ª filha. Ganhei meu título. Aprendi. Cresci. Mas não recebi nenhum “tapinha nas costas” do meu orientador.

Não sei nem o que pensar sobre isso. Seria uma postura de pai rigoroso, que acredita que não era mais do que a minha obrigação? Ou apenas a correria do dia a dia que não permite uma pausa para um acolhimento, um olhar, um abraço, um “tapinha nas costas”? Ou quem sabe é o que se espera das mulheres: que dê conta de uma jornada dupla ou tripla? Não sei ao certo, mas na falta de palavras vindas dele, optei por registrar para sempre as palavras de uma das pessoas que estava na minha banca de doutorado, também mãe. Ela me parabenizou dizendo que fui uma guerreira e que nadei contra a maré, com duas crianças penduradas em mim e mesmo assim, consegui chegar até o final. Não nego, senti falta do “tapinha nas costas” do meu orientador, mas fui acolhida com esse oceano de amor. Uma mãe, entende outra mãe. Só diante dessa fala que eu parei para pensar que por 5 anos, estou navegando em meio a tempestade, mas agora ajustei as velas e posso nadar por águas calmas.

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