Existem diversos tipos de dor, que se enquadram principalmente em dois grupos: física ou emocional. O que as dores têm em comum? A vontade de eliminá-la.
A indústria farmacêutica lucra milhões com essas dores, assim como fornecedores de álcool e outras drogas. Pensam: melhor anestesiar, esquecer, tapar o buraco, abafar o caso, sarar, curar. Mas será que toda dor é ruim? Será que toda dor precisa ser eliminada? Tenho pensado muito sobre isso ao vivenciar a maternidade.
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Quis, por questões pessoais, o parto normal desde o princípio, e deixei a cesárea como um plano B (não tinha nada contra, apenas fazia mais sentido a outra forma). No dia do parto, cada dor que vinha era muito bem “controlada” com exercícios de respiração, depois foram se intensificando e minha obstetriz e meu esposo falavam “menos uma… mais uma que te leva mais perto pra ver a carinha da Maya”. Estávamos todos dando sentido para aquelas dores. Depois, quando a Maya já estava quase nascendo, a dor já era forte demais e meu esposo sugeriu analgesia para eu dar uma relaxada final e conseguir fazer a força necessária. O anestesista já estava a postos, mas tudo evoluiu tão rápido que segundos depois dessa sugestão minha filha já estava no meu colo. Nasceu! Sem anestesia nem nada! E a dor? Ahhhhh a dor…. já nem lembro. Foi ela que me trouxe esse lindo presente!
Depois disso, vieram muitas outras dores: a falta de sono, a dor da sensibilidade do seio, do peito machucado, de ver a filha ser furada para fazer exames, a dor de cólica e tantas outras antigas e novas. Me preparei para o caos da maternidade e senti muito do que já tinha lido e ouvido nas 4 paredes do consultório, mas escolhi ver cada experiência com a lente do SENTIDO. A maioria das “dores” me leva a ser mãe, a aprender, a me desenvolver. Algumas me dão coragem, outras paciência, outras me tornam mais humana, mas cada uma delas tem um sentido especial. Nem toda dor precisa ser eliminada. Algumas precisam só ser vividas.
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Finalizo o texto com uma frase que ouvi do meu pai e ele ouviu durante a preparação para sua primeira maratona: “A dor é passageira, a Gloria é eterna!”








